Para que os países possam desenvolver tecnologia para fins pacíficos sem que seus vizinhos suspeitam de que estão fazendo a bomba atômica, o diretor-geral da Agência Internacional, Mohamed El Baradei, propôs a “multinacionalização”, o compartilhamento, do processo de enriquecimento de urânio. Assim, cada país dominaria apenas uma parte do processo. O diretor da AIEA, Prêmio Nobel da Paz junto com sua agência, órgão das Nações Unidas, encerrou na sexta-feira, 7 de dezembro, no Rio, o seminário Energia Nuclear Como Alternativa Sustentável? Um diálogo Europa-America Latina, promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).Nos comentários finais, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, reafirmou a intenção brasileira de "dominar o ciclo completo do urânio". Há grande resistência internacional porque é uma tecnologia de uso duplo.A AIEA ganhou importância nos últimos dias com a divulgação de um relatório conjunto dos 16 serviços secretos dos EUA revelando que o Irã suspendeu seu programa nuclear militar clandestino em 2003. Isto bloqueia os planos dos falcões do governo Bush, especialmente do vice-presidente Dick Cheney, de bombardear as instalações nucleares iranianas.Assim, a diplomacia está de volta. Cabe à AIEA realizar as inspeções para certificar que a república islâmica ou qualquer outro país não está fabricando armas atômicas. O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) proíbe os países que não tinham a bomba quando ele foi negociado, em 1968, de fazer armas nucleares. Como eles podem desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos e a tecnologia tem uso duplo, há sempre um risco. Por isso, o TNP prevê inspeções da AIEA. Ao criar dois tipos de países, potências nucleares, de um lado, e países sem bomba atômica, do outro, o TNP é intrinsecamente injusto e desigual. Por esta razão, nunca foi assinado pela Índia, uma antiga colônia que não aceita status de inferioridade nas relações internacionais. Também tem a bomba e não assinaram o TNP a Coréia do Norte, Israel e o Paquistão.Índia e Paquistão precisam da paz entre eles. A Coréia do Norte negocia o desmantelamento de seu programa nuclear em troca de energia, alimentos e ajuda internacional.Quanto a Israel, El Baradei entende que um acordo de paz no Oriente Médio deve incluir a desnuclearização dos países da região. Isso incluiria também o Irã, desarmando um dos problemas mais sérios do Oriente Médio.Para evitar que as potências nucleares que não assinaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear usem armas atômicas, ElBaradei defendeu um plano global de controle de armas: "No caso de Israel, como parte do processo de paz no Oriente Médio, deve ser criada uma estrutura de segurança que elimine todas as armas nucleares. O desarmamento da Coréia do Norte já está em curso". Nos termos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, há uma série de salvaguardas que incluem inspeções de surpresa de suas instalações atômicas pela AIEA.O Brasil não assinou o protocolo adicional ao TNP, e algumas autoridades o consideram intrusivo demais, a ponto de violar a soberania nacional. Alguns setores, especialmente militares nacionalistas, o Partido Comunista do Brasil, o Partido Socialista e o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, consideram fundamental que o Brasil tenha a bomba para ascender à condição de grande potência.Todas as potências com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU têm a bomba. Direto da Redação/Nelson Franco Jobim

É "muito engraçado" o que acabo de ler. O que o diplomata Guimarães & cia., assim como as demais nações em desenvolvimento e sub-desenvolvidas, querem não é desenvolver uma forma de energia limpa (questionável) e auto-sustentável, muito menos uma forma de defesa militar (catastrófica, por sinal), mas sim uma "moeda de troca", no mais puro escambo, em troca de poder. Afinal, quem tem a bomba é quem manda! Que contradição, não?
ResponderExcluirExcelente carnaval para você, meu amigo. Abraço grande do Lu.