quarta-feira, janeiro 30, 2008

Ciberterrorismo?

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2001
A internet, em inúmeras circunstâncias, põe as superpotências em igualdade de condições com os países mais pobres, motivo de grande preocupação com o aumento de atividades terroristas no mundo virtual. Na década de 60, o Departamento de Defesa americano já se preocupava com a vulnerabilidade das redes. Nos anos 70, surgiu a interconexão de diferentes tecnologias nas redes, ainda pequenas, com alguns poucos computadores militares e alguns outros em universidades americanas. Havia poucos mecanismos de segurança, mas isso não era problema pois todas as máquinas na rede eram conhecidas e confiáveis. Após a Guerra Fria, diversas outras redes se interligaram em crescimento geométrico, dando origem à internet.
O rápido crescimento da internet trouxe vários protocolos e serviços, mas nem sempre levava-se em consideração a segurança das informações transmitidas pela rede. Qualquer computador conectado podia comunicar-se com todos os demais e vasculhar a rede em busca de vulnerabilidades. Outros iam além, disparando ataques contra os sistemas dos computadores participantes.
Nos anos 80, a maioria dos incidentes de segurança estava relacionada ao meio acadêmico, onde universitários invadiam sistemas com o objetivo de ganhar fama na comunidade internauta. Foram os primeiros hackers. A possibilidade de ataques terroristas na internet começou a ser comentada no fim de 1999. No primeiro semestre de 2000 grandes portais da internet foram vítimas, por vários dias, de ataques. Isso revelou que a internet não é um ambiente totalmente seguro. O FBI foi acionado e efetuou inúmeras diligências na rede, encontrando várias ferramentas de ataque em diferentes sistemas comprometidos.
Atualmente, a internet oferece espaço para que organizações terroristas, de qualquer parte do mundo, passem a atuar também na área virtual. Alguns worms (vírus que se propagam de forma independente) e outros vírus já foram disseminados na rede com motivações políticas, históricas e até religiosas. A internet não respeita divisões políticas ou geográficas. Os ataques podem atingir ou partir de qualquer máquina ou sistema conectado. Durante o conflito do Kosovo, diversos sites do governo americano e da Otan foram atacados por hackers a partir de países contrários aos bombardeios aéreos administrados pela Otan.
Um grupo ciberterrorista pode ganhar acesso a grandes servidores e máquinas de banda larga, espalhados em diferentes lugares do mundo, e usá-los em ataques coordenados. Os alvos podem ser a economia de um país ou as condições de vida da população. Serviços essenciais como luz, água e sistemas hospitalares são potencialmente vulneráveis.
Desde terça-feira verifica-se nova ação global, desta vez do vírus Nimda, que afetou redes de grandes corporações em mais de 15 países. Podemos estar à beira da era do ciberterrorismo.
JB/ Paulo Perez é mestre em redes de computadores pela USP

Nenhum comentário:

Postar um comentário