29 de janeiro de 2008Natasha Randall em uma das fotos divulgadas na web*
Quando as pessoas começam a penetrar um mundo virtual, como foi o caso dos jovens galeses no site Bebo, é possível que percam todo o senso de realidade e das verdadeiras conseqüências de seus atos. Para Madeleine Moon, a misteriosa série de mortes por enforcamento de adolescentes e jovens adultos em Bridgend se assemelha a um pacto de suicídio realizado por intermédio de um site de redes sociais.
É por isso que a parlamentar que representa a cidade de 40 mil habitantes, localizada no extremo sul do País de Gales, batalhou vigorosamente pela formação de uma comissão de inquérito sobre um fenômeno que custou a vida a sete jovens em seu distrito eleitoral. Composta por policiais, assistentes sociais e psicológicos, a comissão enfim iniciou seus trabalhos no sábado, 26 de janeiro.
Sua tarefa é esclarecer as circunstâncias de uma dezena de suicídios de adolescentes acontecidos em Bridgend desde 2004. A mais recente vítima é Natasha Randall*, 17 anos, encontrada enforcada em seu quarto em 17 de janeiro. Poucas horas depois do sucedido, um memorial em homenagem à adolescente foi criado no site Bebo, acompanhado de fotografias, poemas e homenagens postadas por pessoas que se diziam seus amigos. Entre as mensagens postadas estava a de uma certa "Anne-Marie", que declarava: "Quero te rever o mais cedo possível".
Seis outros jovens, dos quais cinco com idades entre os 17 e os 20 anos, se suicidaram por enforcamento na cidade. Todos eles viviam em um raio de cinco quilômetros de Bridgend, um antigo pólo carvoeiro que caiu em decadência devido ao desemprego e à desindustrialização, e parece localizado a dez anos-luz de Cardiff, a próspera capital regional e um dos centros britânicos de novas tecnologias.
Para os especialistas, a busca de celebridade póstuma é um dos motivos dos suicídios. "Esses jovens não eram vítimas de agressões na escola, e tampouco apresentavam maus resultados em seus estudos, ou eram usuários contumazes de drogas e álcool", aponta um membro da comissão criada por insistência de Moon. É essa também a opinião de Patricia Carey, professora de psiquiatria no University College de Dublin. "Se eles não tinham reconhecimento social, procurar a morte talvez fosse a única forme de obter a admiração e a atenção que tanto lhes fazia falta".
As leis britânicas de 1961 que proíbem assistência ao suicídio não se aplicam à Internet. A associação Papyrus, que trabalha para a prevenção de suicídios no Reino Unido, apelou ao governo Gordon Brown que emende a regulamentação de maneira a incluir os sites de Web em seus estatutos.
É por isso que a parlamentar que representa a cidade de 40 mil habitantes, localizada no extremo sul do País de Gales, batalhou vigorosamente pela formação de uma comissão de inquérito sobre um fenômeno que custou a vida a sete jovens em seu distrito eleitoral. Composta por policiais, assistentes sociais e psicológicos, a comissão enfim iniciou seus trabalhos no sábado, 26 de janeiro.
Sua tarefa é esclarecer as circunstâncias de uma dezena de suicídios de adolescentes acontecidos em Bridgend desde 2004. A mais recente vítima é Natasha Randall*, 17 anos, encontrada enforcada em seu quarto em 17 de janeiro. Poucas horas depois do sucedido, um memorial em homenagem à adolescente foi criado no site Bebo, acompanhado de fotografias, poemas e homenagens postadas por pessoas que se diziam seus amigos. Entre as mensagens postadas estava a de uma certa "Anne-Marie", que declarava: "Quero te rever o mais cedo possível".
Seis outros jovens, dos quais cinco com idades entre os 17 e os 20 anos, se suicidaram por enforcamento na cidade. Todos eles viviam em um raio de cinco quilômetros de Bridgend, um antigo pólo carvoeiro que caiu em decadência devido ao desemprego e à desindustrialização, e parece localizado a dez anos-luz de Cardiff, a próspera capital regional e um dos centros britânicos de novas tecnologias.
Para os especialistas, a busca de celebridade póstuma é um dos motivos dos suicídios. "Esses jovens não eram vítimas de agressões na escola, e tampouco apresentavam maus resultados em seus estudos, ou eram usuários contumazes de drogas e álcool", aponta um membro da comissão criada por insistência de Moon. É essa também a opinião de Patricia Carey, professora de psiquiatria no University College de Dublin. "Se eles não tinham reconhecimento social, procurar a morte talvez fosse a única forme de obter a admiração e a atenção que tanto lhes fazia falta".
As leis britânicas de 1961 que proíbem assistência ao suicídio não se aplicam à Internet. A associação Papyrus, que trabalha para a prevenção de suicídios no Reino Unido, apelou ao governo Gordon Brown que emende a regulamentação de maneira a incluir os sites de Web em seus estatutos.
Le Monde/Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

Nenhum comentário:
Postar um comentário