sexta-feira, janeiro 16, 2009

Na China, 15 milhões devem ficar sem trabalho

14/01/2009
A China poderá perder 15 milhões de empregos até a metade do ano por causa do impacto da crise mundial em suas exportações, que tiveram a segunda retração seguida em dezembro, no pior resultado em uma década.

As vendas a outros países caíram 2,8% no mês passado ante igual período de 2007, desempenho pior que a redução de 2,2% de novembro. As importações tiveram queda recorde de 21,3%, por causa do enfraquecimento da demanda chinesa por matérias-primas e bens manufaturados para reexportação. A retração mais acentuada das importações levou o superávit chinês com o restante do mundo a fechar o ano com alta de 13%, no valor recorde de US$ 295,46 bilhões. Apesar da queda nos dois últimos meses, as exportações cresceram 17,2% em 2008 e somaram US$ 1,43 trilhão. As importações ficaram em US$ 1,13 trilhão, com alta de 18,5% em relação a 2007. Desde o agravamento da crise, no fim do ano passado, milhares de fábricas fecharam suas portas na região sul da China, onde se concentram as indústrias de bens de consumo para exportação, como brinquedos, calçados e têxteis. A maioria dos que perderam os empregos integra o exército de camponeses que nas últimas duas décadas deixou o campo em busca de trabalho nas cidades, chamados de migrantes rurais. Agora, eles fazem um êxodo de volta às suas vilas. A previsão de que a crise acabará com 15 milhões de empregos é da economista-chefe do banco UBS na China, Wang Tao. Segundo ela, a cifra equivale a 3,5% dos postos de trabalho não agrícolas do país. Andy Xie, ex-economista-chefe do Morgan Stanley na Ásia, é ainda mais pessimista e prevê que 20 milhões de migrantes terão de deixar as cidades da costa leste e voltar para o campo. O governo teme que o retorno em massa de migrantes rurais a suas vilas de origem crie uma onda de instabilidade social no país. A maioria deixou a zona rural por não conseguir ganhar o suficiente para sustentar suas famílias e não tem nenhuma proteção social. Muitos não sabem mais cultivar a terra e enfrentam enorme insegurança em relação ao futuro. Apesar do cenário negativo, Wang Tang avalia que o risco de conflitos é menor agora do que há uma década, quando a China enfrentou os efeitos da crise asiática e do processo de reestruturação de empresas estatais, que levou ao fechamento de milhares delas, com a consequente demissão dos empregados. "Entre 1997 e 2002, 35 milhões de trabalhadores urbanos foram demitidos, dos quais 28 milhões eram funcionários de estatais", escreveu a economista. Além disso, 20 milhões de migrantes rurais voltaram ao campo entre 1998 e 2002 por falta de emprego nas cidades.
Cláudia Trevisan/O Estado de S. Paulo

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